O Senado do Paraguai rejeitou, nesta sexta-feira (6), o pedido do presidente Santiago Peña para obter mais 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment. A decisão abre caminho para o avanço do julgamento político ainda nesta sexta-feira.
O pedido foi apresentado pelo presidente após receber a acusação formal, acompanhada de aproximadamente 300 páginas de documentos.
O presidente do Senado, Basilio Núñez, confirmou a rejeição da solicitação após a falta de votos necessários para conceder a prorrogação.
Crise bancária desencadeou processo político
A crise que envolve o governo paraguaio começou após o Banco Central intervir no Ueno Bank, instituição associada ao grupo empresarial do qual Peña já foi acionista.
A medida provocou o congelamento de depósitos e afetou milhões de clientes, além de recursos públicos mantidos na instituição financeira.
O episódio desencadeou uma crise institucional, com protestos populares em Assunção e cobranças pela responsabilização dos envolvidos.
Na quinta-feira (5), a Procuradoria-Geral do Paraguai anunciou a abertura de uma investigação penal contra Peña para apurar possíveis irregularidades relacionadas à supervisão e à resolução do Ueno Bank, além da destinação de recursos públicos à instituição.
Oito diretores do banco também foram presos durante as investigações.
Câmara aprova impeachment e presidente anuncia renúncia
A crise política se intensificou após a Câmara dos Deputados aprovar a abertura do processo de impeachment contra Peña, com 78 votos favoráveis.
Durante a votação, parlamentares do próprio partido do presidente também apoiaram o procedimento.
Em meio à crise, Peña anunciou sua renúncia. Entretanto, o Parlamento não conseguiu reunir quórum para votar a aceitação ou rejeição do pedido, mantendo indefinida a situação política do país.
O vice-presidente Pedro Alliana também está no centro das discussões sobre a sucessão presidencial. Os deputados rejeitaram a abertura de um processo de impeachment contra ele.
Caso a renúncia seja formalmente aceita, Peña poderá assumir a condição de senador vitalício, conforme as regras constitucionais paraguaias.
Protestos e crise econômica
Milhares de pessoas foram às ruas de Assunção entre terça-feira e quinta-feira para exigir a devolução dos valores depositados e cobrar providências das autoridades.
As manifestações também terminaram em confrontos, com o uso de caminhões de combate a incêndio e gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.
A crise ultrapassou as fronteiras paraguaias e atingiu a Argentina. Cerca de mil funcionários da empresa de tecnologia ITTI, ligada ao mesmo grupo empresarial, foram informados sobre uma suspensão de atividades por 30 dias, sem recebimento de salários.
O caso coloca o Paraguai diante de uma crise política, financeira e institucional, enquanto avançam as discussões sobre o futuro do governo Santiago Peña.