📅 sábado, 7 de novembro de 2026

Celular de Daniel Vorcaro registra 316 interações com Alexandre de Moraes antes da prisão

Uma análise dos dados armazenados no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, identificou 316 registros de interação com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos dois meses anteriores à prisão do empresário, em novembro de 2025. As informações foram divulgadas pelo portal UOL nesta sexta-feira (6).

O levantamento considera o período entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025, quando a Polícia Federal apreendeu o aparelho de Vorcaro. Do total de registros, 187 correspondem a mensagens enviadas pelo banqueiro. Os outros 129 incluem mensagens atribuídas ao ministro e notificações geradas pelo próprio aplicativo.

A contagem não representa necessariamente 316 mensagens trocadas entre os dois, pois também inclui fotografias, chamadas, ligações não atendidas e avisos do WhatsApp.

Até então, eram conhecidas 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao contato identificado como Alexandre de Moraes. A nova análise permitiu recuperar outras 17 mensagens, ampliando as informações sobre as comunicações entre o empresário e o ministro.

Mensagens revelam possível encontro antes da prisão

Entre os registros recuperados está uma conversa de 24 de outubro de 2025. Na ocasião, Moraes teria enviado uma imagem acompanhada da mensagem: “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”.

Outro conjunto de mensagens chama a atenção por envolver uma possível reunião em Brasília, três dias antes da prisão de Vorcaro.

Em 14 de novembro, o contato atribuído ao ministro enviou a mensagem: “Me avise quando pousar”. O banqueiro respondeu e, posteriormente, informou que havia chegado à capital federal.

Na sequência, recebeu outra mensagem: “A caminho então”.

Os registros indicam que os dois poderiam ter combinado um encontro naquela data, mas não há confirmação de que a reunião tenha efetivamente acontecido.

Também foram identificadas conversas com referências familiares e manifestações de proximidade entre os interlocutores.

Conversas foram recuperadas após exclusão automática

Segundo a reportagem do UOL, parte das comunicações havia desaparecido do histórico principal porque a conversa utilizava o recurso de mensagens temporárias do WhatsApp, configurado para apagar os conteúdos após 24 horas.

A recuperação foi possível por meio da análise de bancos de dados secundários mantidos pelo aplicativo no aparelho de Vorcaro.

Os investigadores e jornalistas também encontraram registros armazenados pelo próprio sistema do iPhone, que mantém informações sobre o envio de mensagens para identificar contatos frequentes.

O material inclui mensagens em texto, imagens e arquivos de mídia. Parte do conteúdo, entretanto, não pôde ser recuperada integralmente.

Vorcaro teria buscado ajuda diante de investigações

Outras mensagens atribuídas ao banqueiro mostram sua preocupação com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master e possíveis medidas da Polícia Federal e do Banco Central.

Em conversas anteriores à prisão, Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes para tentar reverter a situação envolvendo o banco, mencionando possíveis contatos com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O empresário também teria questionado o ministro sobre a possibilidade de medidas policiais nos dias seguintes e se deveria deixar o país.

De acordo com informações já divulgadas pela investigação, Vorcaro utilizava uma estratégia para dificultar o rastreamento das conversas: escrevia os textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens pelo WhatsApp com visualização única.

Moraes nega conversas e questiona autenticidade dos registros

Alexandre de Moraes nega ter mantido os diálogos apresentados e contesta a autenticidade do material atribuído a ele.

Em manifestação encaminhada ao STF, o ministro classificou o relatório da Polícia Federal como falso e questionou a cadeia de custódia do aparelho, procedimento responsável por garantir a preservação e a integridade das provas.

Moraes também afirmou que a divulgação das informações seria uma tentativa de vingança relacionada à sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado.

A defesa de Daniel Vorcaro igualmente questiona a integridade dos arquivos extraídos do celular. Uma perícia contratada pelos advogados identificou modificações em arquivos após a apreensão, mas esse apontamento, isoladamente, não comprova adulteração do conteúdo.

Contrato do Banco Master com escritório da família do ministro

A relação entre Vorcaro e Moraes também ganhou repercussão devido a um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O acordo, iniciado em janeiro de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos, com valor total que poderia chegar a aproximadamente R$ 130 milhões.

O escritório informou que Alexandre de Moraes não atuou em processos envolvendo o Banco Master.

O caso está sob análise no Supremo Tribunal Federal, onde também são discutidas as suspeitas relacionadas aos contatos entre o banqueiro e o magistrado.

As novas informações ampliam os questionamentos sobre a relação entre os dois. Entretanto, os registros de interação e as mensagens atribuídas aos interlocutores ainda são objeto de controvérsia, e sua existência, por si só, não comprova irregularidades ou interferência do ministro nas investigações.

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