São quase R$ 10 milhões movimentando só o primeiro terço da corrida e, a partir de agora, a rua vai virar prioridade.
A campanha eleitoral começou oficialmente, mas uma parte importante da disputa já foi definida antes mesmo de o primeiro santinho chegar às ruas: a distribuição do dinheiro.
É dinheiro público.
Sai do mesmo contribuinte que espera uma consulta médica, uma vaga na creche, uma rua pavimentada ou uma obra para reduzir os congestionamentos.
A comparação não significa que o recurso poderia ser transferido diretamente para o orçamento municipal, mas a comparação é inevitável. São caixas diferentes e finalidades determinadas em lei.
Mas ajuda a dimensionar quanto custa financiar a disputa pelo voto.
E quase R$ 10 milhões representam muita coisa para Joinville.
Quanto vale uma campanha de R$ 10 milhões
Tomando como referência obras recentes da cidade, os R$ 10 milhões destinados aos candidatos seriam suficientes para pagar praticamente duas unidades básicas de saúde como a UBSF Estrada Anaburgo, cuja obra está orçada em aproximadamente R$ 4,8 milhões cada. Faltariam apenas R$ 27 mil para completar a segunda unidade.
A referência é da própria Prefeitura de Joinville.
O mesmo dinheiro poderia financiar uma estrutura como a nova sede do NAIPE, voltada ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista e deficiência intelectual.
A obra custou aproximadamente R$ 7,2 milhões.
Ainda sobrariam mais de R$ 2,3 milhões para equipamentos, atendimento ou outras melhorias. O investimento foi divulgado pelo município.
Também seria possível executar mais de duas vezes um pacote como o das pavimentações anunciadas para ruas dos bairros Jardim Paraíso e Morro do Meio, estimado em R$ 4 milhões.
Segundo a Prefeitura, o pacote contempla drenagem, pavimentação, calçadas e sinalização.
Não seria suficiente para construir sozinho um grande Centro de Educação Infantil como o CEI Iramar João Viana, que custou R$ 19 milhões. Mas pagaria aproximadamente metade da obra.
O CEI possui 18 salas e estrutura para maternal, berçário e pré-escola.
Isso ajuda a traduzir o Fundão para a realidade, pois são quase duas unidades de saúde, mais de dois grandes pacotes de pavimentação ou metade de um dos maiores centros de educação infantil da cidade.
Poucos ficam com a maior parte
Entre os candidatos a deputado federal, foram distribuídos R$ 8.114.521 do Fundo Eleitoral. Darci de Matos, do Republicanos, aparece no topo, com R$ 2 milhões.
Rodrigo Coelho, do MDB, recebeu R$ 1,75 milhão. Zé Trovão, do PL, ficou com R$ 1,5 milhão.
Vanessa da Rosa, do PT, recebeu R$ 1,027 milhão.
Somente esses quatro candidatos concentram R$ 6,277 milhões, ou mais de 77% de todo o Fundo Eleitoral destinado às candidaturas federais de Joinville.
Na sequência aparecem Francisco Assis (PT), com R$ 790 mil; Sargento Lima (PL), com R$ 500 mil; Tânia Larson (União), com R$ 275 mil; Jéssica Michels (Psol), com R$ 113 mil; Liliane da Frada (Podemos), com R$ 100 mil; Derian Campos (União), com R$ 40 mil; e Levi Rioschi (Avante), com R$ 19.521.
Coronel Armando (PP), Guilherme Henrique (PRD) e Pastor Ascendino (PSD) não receberam recursos do Fundo Eleitoral até o levantamento realizado no dia 6 de setembro.
Érico Vinícius aparece com R$ 212,9 mil, além de R$ 58,5 mil provenientes do diretório estadual.
Esses valores, porém, não foram incluídos na conta do Fundão porque, conforme os dados apresentados, têm origem diretamente do fundo partidário, ou seja, do caixa do partido.
O partido Novo não tem direito ao Fundo Eleitoral porque não atingiu a cláusula de barreiras.
Entre os candidatos a estadual, a distribuição soma R$ 1.458.170,00.
Maurício Peixer (PL) lidera, com R$ 250 mil.
Policial Emily (União) recebeu R$ 160 mil.
Fabi Venera, William Tonezzi do PL ficaram com R$ 150 mil cada.
Ana Lúcia Martins (PT) recebeu R$ 138.710.
Larissa Stephanne (PCdoB) recebeu R$ 110 mil; Eduardo Cesconetto (Republicanos), R$ 100 mil; Brandel Junior (Republicanos), Gilberto Leal (Podemos) e Antunes (Podemos), R$ 50 mil cada; Sargento Floriano (Podemos), R$ 40 mil; Jo Marquez (Psol) R$ 39.460; e Carlos Castro (PDT), R$ 20 mil.
Diego Machado (PSD), Anelísio Machado (PP), Rodolfo (PT), Adilson Girardi (MDB), Fernando Krelling (MDB) e Neto Petters (Novo) aparecem sem repasses do Fundo Eleitoral até agora.
Dinheiro também mostra poder
A distribuição revela mais do que a capacidade de produzir material, contratar equipes, impulsionar conteúdos ou colocar cabos eleitorais nas ruas.
Ela mostra a posição de cada candidato dentro do próprio partido.
Quem recebe R$ 2 milhões parte com uma estrutura muito diferente de quem recebe R$ 40 mil.
Quem não recebe nada precisa depender de recursos próprios, doações, militância, visibilidade anterior ou da força de sua rede política.
Nas próximas semanas, esse dinheiro vai aparecer com mais força.
Estará nos anúncios de internet, nos adesivos, nos materiais impressos, nas equipes de rua e nas estruturas profissionais de campanha.Parte poderá voltar para empresas, gráficas, produtoras e trabalhadores da cidade.
Ainda assim, continuará sendo dinheiro retirado dos impostos para financiar partidos e candidatos.
Depois da eleição, os candidatos escolhidos terão a obrigação de buscar para a cidade muito mais do que receberam para pedir votos.
Se quase R$ 10 milhões de dinheiro público foram utilizados para financiar as campanhas de Joinville, o mínimo que se espera é que os eleitos transformem influência política em recursos para saúde, educação, infraestrutura, segurança e mobilidade.
O Fundão paga a campanha. A partir de janeiro, caberá aos eleitos provar que o mandato valeu o investimento.
O que cada candidato de Joinville a deputado federal recebeu do Fundo Eleitoral, o Fundão ou do partido
- Darci de Matos (Republicanos) recebeu R$ 2.000.000,00
- Rodrigo Coelho (MDB) R$ 1.750.000,00
- Zé Trovão (PL) R$ 1.500.000,00
- Vanessa da Rosa (PT) R$ 1.027.000,00
- Francisco Assis (PT) R$ 790.000,00
- Sargento Lima (PL) R$ 500.000,00
- Tania Larson (União) R$ 275.00000
- Jessica Michels (PSOL) R$ 113.000,00
- Liliane da Frada (Podemos) R$ 100.000,00
- Derian Campos (União) R$ 40.000,00
- Levi Riochi (Avante) R$ 19.521
- Guilherme Henrique (PRD) – zero
- Pastor Ascendino (PSD) zero
- Coronel Armando (PP) zero
- Erico Vinicius R$ 212.900 diretório nacional e R$ 58.500 do diretório estadual. Dinheiro não é fundo eleitoral
O que cada candidato de Joinville a deputado estadual recebeu do Fundo Eleitoral
- Maurício Peixer (PL) R$ 250.000,00
- Policial Emily (União) R$ 160.000,00
- Fabi Venera (PL) R$ 150.000,00
- William Tonezzi (PL) R$ 150.000,00
- Ana Lúcia Martins (PT) R$ 138.710,00
- Larissa Stephanne (PCdoB) R$ 110.000,00
- Eduardo Cesconetto R$ 100.000,00
- Brandel Junior (Republicanos) R$ 50.000,00
- Gilberto Leal (Podemos) R$ 50.000,00
- Antunes (Podemos) R$ 50.000,00
- Sargento Floriano (Podemos) R$ 40.000,00
- Jo Marquez (Psol) R$ 39.460,00
- Carlos Castro (PDT) R$ 20.000,00
- Diego Machado (PSD) zero
- Anelisio Machado (PP) zero
- Rodolfo Ramos (PT) zero
- Adilson Girardi (MDB) zero
- Fernando Krelling (MDB) zero
- Neto Petters (Novo) zero
- Matheus Cadorin (Novo) R$ 150.000,00. Esse dinheiro não é fundo eleitoral, mas diretamente do partido.
