
O relógio marcava pouco mais de 16h22 deste domingo quando Jorginho Mello (PL) escolheu a rua Nove de Março, no Centro de Joinville, para dar a largada oficial da campanha à reeleição ao Governo do Estado.
A escolha do local não foi acaso: com um joinvilense na vice e outro como primeiro suplente ao Senado, o governador tentou transformar a cidade na vitrine simbólica da chapa.
Mas a tarde nublada, com ameaça de chuva, não rendeu a grande festa que o termo “arrancadão” sugeria.
O ato juntou, principalmente, os próprios candidatos a deputado federal e estadual da coligação e foi mais um evento de militância organizada do que de mobilização popular.
Nada, porém, foi mais simbólico do que a frase repetida duas vezes por Jorginho ao microfone: Viva Joinville!
A marca registrada dos discursos de Luiz Henrique da Silveira, talvez o maior político que a cidade já produziu, morto em 2015 depois de ter sido prefeito de Joinville, governador do Estado por dois mandatos e senador da República. Jorginho gritou a frase e pediu emprestado o grito que LHS bradava ao final de seus discursos.
Chapa completa e com dois nomes de Joinville
O grande destaque da tarde foi a presença da chapa completa em Joinville. Além de Jorginho e Adriano também estavam Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.
A vinda do filho do ex-presidente poderia ser o grande chamariz para atrair mais público. Adriano Silva (Novo), ex-prefeito de Joinville, é hoje talvez o político joinvilense com maior projeção estadual e ocupa a vice na chapa de Jorginho.
Do outro lado, na candidatura ao Senado de Carol de Toni (PL), o nome escolhido como primeiro suplente também saiu Joinville: Geraldo Wetzel Neto, advogado e empresário ligado a projetos de investimento no Norte do Estado em sua primeira aventura eleitoral.
No papel, é uma chapa que fala diretamente com o eleitor joinvilense: um vice que já geriu a cidade e um suplente ao Senado com sobrenome de peso local.
Na prática, é também uma resposta a um problema que esta coluna já registrou: Joinville, a maior cidade do Estado, perdeu e busca resgatar o protagonismo político estadual.
Festa pequena, aposta grande
O contraste entre o discurso e o público chamou atenção. Jorginho classificou Joinville como “o coração industrial de Santa Catarina” e tratou a inauguração do comitê como um “gesto de reconhecimento” à cidade.
Adriano Silva, por sua vez, disse estar “feliz e honrado” de integrar a chapa e defendeu levar a gestão joinvilense para o Estado. São falas de quem sabe que precisa validar a aliança PL-Novo justamente na cidade onde o Novo nasceu forte e onde qualquer fissura tende a doer mais.
A agenda conjunta em Joinville, como fizeram Jorginho e Adriano, é o começo de uma jornada que começa a ser escrita agora, no primeiro domingo de campanha.
Mas o tamanho do público reunido na Nove de Março sugere que o “arrancadão” ainda precisa de mais gasolina e engajamento de quem vota.
Adriano fugiu da resposta, Carol respondeu
A coluna perguntou para o candidato a vice-governador quantos deputados se elegeriam por Joinville. Adriano Silva limitou-se a dizer que “não tinha essa resposta”.
Ao seu lado, Carol De Toni respondeu de bate-ponto: Joinville elegerá quatro deputados estaduais e três federais.
