
O presidenciável Romeu Zema (Novo) esteve em Joinville, maior colégio eleitoral de Santa Catarina, nesta terça-feira, 1º de setembro, num roteiro que começou na abertura da Semana da Pátria em frente à Prefeitura, passou por uma escola municipal para falar de educação e terminou à tarde na Acij, num encontro com empresários com plateia que não passou de 50 pessoas, incluindo assessores.
Um roteiro sem alarde, com pouca divulgação e quase nada de prestígio de um presidenciável do partido que comanda a cidade.
No papel, é a agenda de quem testa a viabilidade de uma candidatura à Presidência na cidade que melhor deveria recebê-lo: Joinville, onde o Novo governa há seis anos.
Mas na prática o que se viu foi uma agenda esvaziada, com pouca gente do próprio partido presente e, mais revelador ainda, sem a presença do ex-prefeito Adriano Silva, candidato a vice na chapa de Jorginho Mello
A vitrine que devia estar cheia
Se há um lugar em Santa Catarina onde Zema deveria conseguir lotar uma sala com correligionários, esse lugar é Joinville. Foi aqui que o partido lançou raízes eleitorais mais fundas no Estado, e é daqui que sai o nome de Adriano Silva, o prefeito reeleito com quase 80% dos votos. Uma agenda esvaziada em território favorável não é só um detalhe de organização de evento.
É um termômetro. E o termômetro, nesta terça, marcou baixa adesão justamente da estrutura que Zema mais precisaria mobilizar foram do território mineiro.
A ausência que fala mais que a presença
Adriano não compareceu porque estava em agenda até perto de Joinville. Esteve em Canoinhas.
A ausência não deveria ser lida como acaso de agenda.
O ex-prefeito carrega hoje um cálculo político mais delicado do que simplesmente prestigiar o correligionário.
Ele é vice na chapa estadual de Jorginho, montada sobre uma aliança PL-Novo que já vem sendo tensionada por episódios nacionais, seja nos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro às críticas públicas do próprio Zema à cúpula do PL.
Aparecer ao lado de Zema em Joinville, justo agora, é render-se publicamente a um aliado que está deixando o PL mais desconfortável a cada semana. E é o PL que Adriano precisa manter unido. Ausência, aqui, não é desinteresse, mas é proteção de aliança.
O manifesto que sobreviveu à falta de gente

A pauta mais concreta do dia não veio de Zema nem do Novo, mas sim das entidades empresariais. Na poderosa ACIJ, o pré-candidato recebeu o manifesto que Acij, Acomac, Ajorpeme e CDL vêm reforçando desde pelo menos o fim de 2024, quando classificaram a situação da BR-280 como “colapso estrutural”.
A infraestrutura, mais uma vez, provou ser a pauta é prioritária. O documento foi entregue pelo recém empossado presidente da ACIJ André Daher.
O que fica para Zema
Zema talvez será o único presidenciável que pisará em Joinville neste primeiro turno.
Na cidade, ele falou de propostas e ao ser perguntado desviou da resposta sobre a ausência de Adriano, “Está em campanha. Está viajando em campanha. Normal.
A recepção foi boa e não saí frustrado”, disse antes de embarcar apressadamente no carro rumo ao aeroporto.
