📅 domingo, 20 de setembro de 2026

A BR-280 e o compromisso que não pode terminar na eleição

BR-280

A duplicação da BR-280 conseguiu algo cada vez mais difícil numa eleição: colocar candidatos de diferentes partidos e posições políticas diante de uma mesma pauta.

O assunto, que se arrasta há décadas e que no momento tem no trecho entre Araquari-São Francisco do Sul o maior gargalo, ganhou destaque nas principais promessas dos candidatos da região Norte de Santa Catarina 

O projeto Voz Unica, da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) formulou um documento-compromisso para cada candidato com seis prioridades definidas pelo setor produtivo.

No topo da lista está uma velha conhecida: a duplicação da BR-280, especialmente no trecho entre Araquari e São Francisco do Sul.

Não chega a ser uma surpresa.

A BR-280 frequenta há décadas os discursos políticos da região. Já passou por diferentes presidentes da República, governadores, ministros, senadores e deputados. Mudam os governos, mudam os partidos, mudam as promessas.

A rodovia continua esperando, colocando em risco vidas dos moradores principalmente das cidades de Araquari, São Francisco do Sul, Balneário Barra do Sul e Joinville. Os prejuízos também são de ordem econômica. 

A diferença agora precisa estar no que acontecerá depois da eleição.

A iniciativa da FACISC tem mérito porque organiza as demandas regionais e as apresenta aos candidatos antes da votação.

Participaram da construção das prioridades as associações empresariais de Araquari, Corupá, Garuva, Guaramirim, Itapoá, Jaraguá do Sul, Joinville, Massaranduba, São Francisco do Sul e Schroeder. É uma demonstração importante de unidade regional.

Não basta documento entregue é preciso endurecer a cobrança

Mas o verdadeiro teste do Voz Única começará no dia seguinte à eleição.

Porque entregar um documento aos candidatos é relativamente fácil.

Difícil será acompanhar durante quatro anos o comportamento daqueles que forem eleitos. É aí que as entidades empresariais terão de endurecer, e muito, a fiscalização e cobranças.

É justamente essa cobrança que pode começar pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), pela dimensão econômica da maior cidade catarinense e pelo peso histórico da entidade na defesa das grandes pautas de infraestrutura da região.

Se a BR-280 é prioridade número um antes da eleição, precisa continuar sendo prioridade número 1 depois dela. 

A região concentra ainda a terceira maior taxa de mortos e feridos em rodovias federais de Santa Catarina e responde por 10% das vítimas do Estado. Por trás dessas estatísticas existem famílias.

E existe também uma conta econômica.

A BR-280 conecta alguns dos principais polos industriais de Santa Catarina ao complexo portuário de São Francisco do Sul. Passa por uma região que produz, exporta, emprega e arrecada.

E agora essa conta chegou. As entidades deveriam dar um passo além nessa eleição.

Criar um sistema permanente de acompanhamento dos deputados estaduais e federais eleitos pela região. Um placar da BR-280. Algo simples, público e atualizado.

Com métricas, fiscalização real, um ranking de qual político mais lutou pela duplicação da rodovia, com marcação de audiências, pedidos de informação, cobrança de autoridades.

E, principalmente: quais resultados foram alcançados.

Cobrar como cobram metas e resultados dos executvos

As empresas que fazem parte das associações de classe sabem muito bem do que estamos falando porque cobram com eficácia seus gestores e executivos para atingir metas e objetivos. 

Não basta divulgar fotografia de reunião com ministro.

A região já colecionou fotografias demais.

Agora, o que precisa colecionar quilômetros duplicados.

As dez associações empresariais que construíram conjuntamente o documento do Voz Única representam uma parcela significativa da economia catarinense.

Se conseguem falar juntas antes da eleição, precisam continuar falando juntas depois dela. Independentemente de quem seja governador. Independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto. Independentemente do partido dos deputados eleitos. 

Para aqueles que conquistarem mandato a partir de 2027, começa outra etapa.

Daqui a um ano, as entidades poderiam reunir novamente os deputados e colocar sobre a mesa o mesmo documento.

Dois anos depois, repetir a pergunta.

Três anos depois, novamente.

E, quando chegar a eleição de 2030, apresentar aos eleitores um balanço do que cada parlamentar efetivamente fez.

Esse talvez seja o próximo passo do Voz Única.

Porque pedir compromisso antes da eleição é importante. Fiscalizar o cumprimento depois dela é ainda mais. A BR-280 não precisa de mais uma geração de promessas. Precisa de obra.

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