É um número repetido por quem articula nos bastidores do Cada Voto Conta, campanha promovida em Joinville para aumentar a participação política.
Eleger pelo menos seis deputados estaduais e até quatro deputados federais com base em Joinville nas eleições de outubro transformou-se em um sonho de difícil realização.
Dez mandatos, somados, para uma cidade que em 2022 saiu da urna com um único federal de domicílio local e que segue sendo, proporcionalmente, a que menos converte peso eleitoral em cadeira no Legislativo.
É uma meta ambiciosa por definição, do tipo que serve mais para organizar o discurso de campanha do que para apostar dinheiro.
Mas o cenário é diferente na briga na Alesc e na Câmara. Para a Assembleia, o clima já é de otimismo, a ponto de animar até nomes do espectro da esquerda.
Para a Câmara Federal, a régua é bem mais dura, com o risco real de a cidade eleger só um ou dois nomes, quase repetindo o resultado que a própria Cada Voto Conta nasceu para evitar.
Na Alesc, o otimismo para eleger até 5 deputados
A Assembleia Legislativa o clima em torno da chapa estadual joinvilense é de confiança, e não de aposta contra a maré.
Quando o volume de nomes locais concorrendo entre si diminui, cada candidato remanescente carrega uma fatia maior do eleitorado que antes se dividia e é esse cálculo que vem animando não só o campo que historicamente domina a cidade, mas também lideranças de esquerda que raramente tiveram motivo para tratar uma eleição joinvilense como favorável. O otimismo aponta hoje para eleger até cinco deputados estaduais. Só não elegerá um sexto, mais por falta de nomes competitivos e nominatas consistentes.
Na Câmara Federal, dificuldades e chance de repetir 2022
O problema é que a mesma lógica não se repete na disputa a federal. Esta coluna já mostrou, na semana passada, que o fundão eleitoral tem ajudado os deputados federais, mas não é o suficiente. Ter caixa robusto ajuda, mas não resolve sozinho o problema de fundo que é eleger pelo menos quatro federais joinvilenses, um salto que a cidade não dá desde pelo menos 2018. No cenário mais otimista ouvido nos bastidores fala em confirmar dois nomes. É a diferença entre uma meta que serve de bandeira de campanha e uma meta que resiste à conta fria dos votos.
O termômetro da rua: o eleitor de olho no nome e no compromisso
Se há um dado novo nesta reta final, é o que já se ouve informalmente pelas ruas de Joinville que o eleitorado parece mais atento a quem é candidato local e a quem assume compromisso explícito com a cidade. É um contraponto direto ao problema que esta coluna registrou há duas semanas, quando quase 100 mil votos joinvilenses escaparam para candidatos sem raiz na cidade em 2022.
Vale o alerta que clima de rua não é pesquisa e a distância entre o que se ouve em conversa e o que aparece na urna já enganou muito gente na hora da apuração.
Adriano Silva e o preço de chegar sozinho ao governo

O ex-prefeito de Joinville, hoje vice na chapa de Jorginho Mello ao Governo do Estado, tem motivo de sobra para acompanhar de perto o tamanho da bancada joinvilense na Alesc, pois chegar ao Palácio da Agronômica como vice não garante, por si só, capital político dentro do próprio governo. Isso se constrói com base parlamentar própria e deputados eleitos.
É por isso que a preocupação que começa a aparecer entre aliados do ex-prefeito não é apenas se Joinville vai eleger cinco nomes para a Alesc, mas quantos desses vão estar de fato alinhados a Adriano e não apenas ocupando uma cadeira que o próprio ex-prefeito não controla.
Uma bancada grande, mas fragmentada entre siglas e padrinhos diferentes, resolve o problema de representatividade que a Cada Voto Conta ataca, mas não resolve o problema de governabilidade que Adriano Silva vai enfrentar a partir de janeiro, se eleito.
O que fica
Na Alesc, a conta parece alcançável, movida por um corte real de candidaturas e por um eleitorado que promete premiar quem tem raiz na cidade, o que pode render a Joinville a maior bancada estadual de sua história.
Na Câmara Federal, a régua segue sendo a mesma que travou a cidade em 2022, e nada indica, até aqui, que o dinheiro do fundão seja capaz de sozinho destravá-la.
O risco, então, não é apenas a cidade fechar outubro abaixo da meta sugerida, mas é fechar com uma Alesc fortalecida e uma bancada federal ainda anêmica, repetindo o problema que a Cada Voto Conta nasceu para corrigir.
E para Adriano Silva, sobra ainda a incômoda dúvida se os deputados estaduais futuramente eleitos irão atender ao seu telefone quando ele precisar de voto na Assembleia.
