📅 domingo, 20 de setembro de 2026

O que é fake e o que é verdade na operação que envolve ex-secretário de Adriano Silva

Material para uso jornalístico

Entre notícias fakes e verdades você vai saber aqui o assunto que agitou a pré-campanha em Joinville envolvendo a pré-candidatura de Gilberto Leal, secretário de Governo de Joinville até poucos meses atrás, homem de confiança do ex-prefeito Adriano Silva (Novo) e hoje filiado ao Podemos, que foi o nome de Joinville identificado na Operação Gaiola Digital, deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de Santa Catarina.

A investigação virou notícia pública bem no momento em que ele monta palanque para a Assembleia Legislativa, com o capital político de ser o joinvilense mais próximo do chefe que hoje mira ser vice-governador do Estado.

O que a investigação encontrou

No relatório do Gaeco com mais de 500 páginas mostra que a Prefeitura de Joinville é o maior contrato entre os 13 municípios varridos pela operação.

Foram pegos R$ 43,1 milhões à empresa Pública Tecnologia Ltda, apontada pelo MP como o epicentro de um esquema de fraude em licitações de softwares de gestão pública.

O relatório do grupo do Ministério Público registra que um grupo de WhatsApp chamado “Edital Joinville” foi criado por sócios da empresa quatro meses antes da publicação do Edital nº 313/2023 — e que os requisitos técnicos enviados nesse grupo reaparecem quase de forma idêntica no edital oficial.

Nessas conversas, segundo o relatório, os investigados debatem a necessidade de “intervenção” do Secretário de Governo, Gilberto de Souza Leal Junior, justamente porque a Secretaria de Planejamento resistia a alguns termos que favoreciam a concorrente IPM Sistemas.

O relatório do Gaeco aponta que o secretário teria sido mencionado por ter influência que ultrapassava sua função formal, servindo de ponte entre a empresa e o setor técnico responsável pelo certame.

Pedido negado e demora na resposta

O Ministério Público pediu busca e apreensão e o bloqueio de R$ 8 milhões em bens de Gilberto Leal. A decisão do desembargador, à qual esta coluna teve acesso, foi taxativa: indeferiu o pedido especificamente em relação a ele.

A fundamentação é detalhada que relata que não há mensagem, áudio ou documento atribuível a Gilberto, que tampouco integrava o grupo de WhatsApp citado no relatório do Gaeco.

O magistrado registra ainda que existem apenas relatos de terceiros tentando levar demandas ao secretário, “com a expectativa de levar ao secretário… determinadas demandas de seus interesses”, mas que isso não constitui, contra o agente público, qualquer ato concreto, autoria ou anuência a irregularidade.

É esse indeferimento do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que Gilberto tem usado, de forma ativa, para rebater as acusações.

Em nota oficial anterior, ele já havia chamado o caso de “absurdo e fake news” e afirmado que buscaria responsabilizar judicialmente quem espalhou a informação e cumpriu a promessa.

Só que na política e no período eleitoral a demora pode ser fatal na reputação.

E é aqui que mora o problema para Gilberto Leal. Mesmo que a Justiça já tenha, de forma expressa, afastado seu nome da medida pedida pelo MP, Gilbert demorou na resposta e foi gravar vídeo de indignação quase 24 horas depois da notícia ganhar a imprensa e as redes sociais. 

Gilberto vai pro ataque contra Cleiton Profeta

Comissão Processante Processo Cassação Vereador Cleiton Profeta

Munido dessa decisão favorável, Gilberto não ficou só na nota oficial. No último sabado (18), ele entrou na Justiça pedindo indenização por danos morais contra o ex-vereador Cleiton Profeta (PL).

A petição sustenta que algumas contas divulgaram, “de forma irresponsável e temerária”, que ele havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Gaiola Digital. Gilberto argumenta que o dano à imagem é agravado pelo momento, principalmente na largada de sua pré-candidatura à Assembléia Legislativa.

A juíza de plantão Andrea Regina Calicchio, porém, não entrou no mérito e relatou que os pedidos urgentes em regime de plantão só podem tratar das hipóteses taxativas da Resolução CM nº 10/2022 do TJSC (habeas corpus, prisão em flagrante, medidas que não possam esperar o expediente normal etc.), e o caso de Gilberto não se encaixa em nenhuma delas.

A magistrada devolveu o processo ao juízo natural, sem decidir se as publicações saem do ar ou se há dano moral a indenizar.

Ou seja, por enquanto, Gilberto não conseguiu a remoção das peças nas redes sociais.

Os bastidores que interessam

O assunto Gilberto Leal caiu com uma bomba no meio política de Joinville. Principalmente pela aproximação de Gilberto com o pré-candidato a vice-governador, o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva. O “braço direito” recebeu a bênção pública do chefe em evento com vários funcionários da prefeitura antes da Gaiola Digital estourar.

A segunda camada é o efeito cascata sobre a aliança Novo-PL que Jorginho Mello e o próprio Adriano tentam blindar em Santa Catarina. Gente do PL vez questão de colocar pilha no episódio. E teve gente do Novo dizendo que se algo fosse comprovado pulariam do barco.

Um escândalo de licitação no partido do vice na chapa governista, batendo justamente no reduto eleitoral de Joinville, é o tipo de ruído que ninguém no Novo estava pedindo para esta fase da pré-campanha.

A terceira é o detalhe mais irônico da semana. Quem tornou o caso público, com vídeo nas redes, foi o ex-vereador Cleiton Profeta, que foi cassado há poucos dias por quebra de decoro.

Antes mesmo de o suplente Cassiano Ucker tomar posse, Profeta já demonstra que sua saída da Câmara não significa saída da política de Joinville.

E agora ele soma um novo capítulo à própria biografia recente somando agora como processado na Justiça comum, como alvo da ação de Gilberto Leal. Faz parte do jogo político transformar um relatório em assunto bombástico, mas a diferença é que agora tem um opositor com disposição para continuar publicando.

Resumindo a situação está no seguinte pé.

A Justiça negou formalmente o pedido do MP contra Gilberto Leal, mas também negou (por razão puramente processual, sem entrar no mérito) o pedido de remoção urgente que ele mesmo fez contra Profeta.

Nenhuma das duas frentes está resolvida e o contrato de R$ 43 milhões com a Pública Tecnologia continua sendo investigado.

Entre fakes e verdades a campanha política em Joinville já começa quente nos bastidores.

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