
Algumas movimentações políticas tem significado importante e transmitem alguns recados.
A prefeita Rejane Gambin (Novo) escolheu hoje o vereador Lucas Souza (Republicanos) para assumir a liderança do governo no lugar do vereador do seu partido Neto Petters.
Mais do que substituir um líder, a prefeita reorganiza sua articulação política justamente no momento em que a administração deixa para trás o período de adaptação e entra na fase em que precisará aprovar projetos mais complexos, enfrentar desgastes naturais da gestão e construir uma base sólida para os próximos anos.
E agora a estratégia municipal está voltada para a sucessor na presidência do legislativo.
Lucas passa a ocupar um dos postos mais estratégicos.
Será ele o interlocutor direto entre o Executivo e os vereadores, responsável por negociar, construir consensos e administrar crises.
É um cargo que exige acima de tudo articulação política e, principalmente, confiança absoluta da prefeita.
E Lucas já vinha conversando silenciosamente com Rejane desde que ela assumiu o governo.
A escolha não foi casual.
Lucas reúne um perfil que parece ser semelhante ao que Rejane tenta imprimir ao governo.
Discurso moderado, sem grandes atritos e boa circulação entre diferentes bancadas. Presidindo a Comissão de Urbanismo, o novo líder parece ter construído, até aqui, uma imagem de parlamentar mais voltado às soluções do que ao confronto político.
Ao assumir a liderança do governo, Lucas naturalmente amplia sua influência e passa a ocupar uma posição privilegiada nas articulações que já começam a mirar a eleição para a presidência da Câmara, no fim de 2026.
A liderança do governo oferece exatamente esse laboratório político e transformará o próximo presidente numa espécie de vice-prefeito.
O atual líder, Neto Petters, é pré-candidato a deputado estadual e caso vença a eleição abre espaço para Souza construir a presidência da Câmara. Outros nomes certamente entrarão na corrida.
Mas Lucas passa a largar alguns passos à frente por ocupar um espaço que poucos vereadores alcançaram desde o primeiro mandato de Adriano Silva.
Para Rejane Gambin, a decisão também representa um recado claro.
Depois dos primeiros meses de governo, marcado pela cassação do oposicionista Cleiton Profeta (PL), a prefeita começa a investir na política. Afinal, nenhuma administração aprova projetos importantes apenas com boas ideias. É preciso maioria.
