
No dia 2 de abril, Joinville teve, pela primeira vez em sua história, uma mulher na cadeira de prefeita. Na semana passada, Rejane Gambin marcou seus primeiros 100 dias com um relatório de 100 ações, organizado por área e com QR codes remetendo a detalhes de cada entrega.
É uma obra de prestação de contas, mas também uma peça para causar impacto. É um formato comum a qualquer início de gestão e vale olhar o conteúdo com atenção.
No relatório há entregas reais e verificáveis como a inauguração do CEI Professora Eloir Bachtold, com capacidade para 550 crianças; a modernização da ETA Cubatão, com investimento de R$ 63 milhões; avanços na Ponte Joinville e na Ponte Anêmonas; a regularização fundiária de 115 famílias no Loteamento Padre Augusto; a reabertura do Museu Casa Fritz Alt.
Vale o registro de que parte dessas obras, como a Ponte Joinville, Ponte Anêmonas, ETA Cubatão, PPP da Iluminação, vinham da gestão de Adriano Silva. Isso não é demérito, mas é preciso separar o que é planejamento novo do que é continuidade.
O que chama a atenção nos 100 dias de Rejane Gambin à frente da Prefeitura não são propriamente os 100 movimentos colocados em um relatório bem feito. Os primeiros três meses mostraram também a continuidade da política de Adriano Silva, a manutenção de todos os secretários e o discurso de equipe técnica engajada.
Rejane teve vitórias políticas. Consolidou a cassação do maior opositor Cleiton Profeta (PL) e mexeu da liderança no governo substituindo o colega de partida Neto Petters (Novo) pelo jovem Lucas Souza, do Republicanos
O que era uma certa desconfiança da classe empresarial também virou foco principal nos primeiros dias de gestão. Reuniões com entidades empresariais ganharam divulgação e a aproximação foi real com a promessa de continuidade da gestão Adriano.
Mas ainda é cedo para afirmar qual será a marca própria de Rejane Gambin. Grande parte do balanço está vinculada à continuidade da máquina pública e de projetos já existentes. A identidade do governo aparecerá com mais nitidez quando surgirem as primeiras decisões difíceis. A prefeita enfrentou a crise dos moradores de rua e o futuro do restaurante popular. Situação que não foi resolvida, mas com ações foi apaziguada.
Gambin ainda tem pela frente alguns desafios. Vai enfrentar uma eleição estadual, mas como participação do seu partido e de seu mentor como protagonista. Enfrentará uma Câmara de Vereadores que mudará o humor a partir dos resultados das urnas em 2026. Mais do que os 100 dias, Rejane terá pela frente outros tantos dias de desafios e conquistas.
Veja o relatório dos 100 dias da prefeita Rejane Gambin.
