📅 domingo, 20 de setembro de 2026

TJSC suspende processo de cassação de Cleiton Profeta e aponta risco de parcialidade em Joinville

Material para uso jornalístico
Vereador Cleiton Profeta consegue decisão do TJSC para suspender temporariamente comissão processante

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina suspendeu o andamento do processo de cassação do vereador Cleiton Profeta na Câmara de Joinville.

A decisão atendeu recurso da defesa e interrompeu a tramitação até nova deliberação judicial.

O agravo de instrumento foi apresentado após a 1ª Vara da Fazenda Pública de Joinville negar, em duas decisões anteriores, o pedido liminar para barrar o processo político-administrativo por quebra de decoro parlamentar.

No recurso, a defesa alegou uma série de nulidades, entre elas suposta irregularidade na formação da comissão processante, cerceamento de defesa e suspeição de vereadores envolvidos no caso.

Ao analisar o pedido, a desembargadora Vera Lúcia Ferreira Copetti afastou, neste momento, a tese de nulidade na exclusão dos membros da Mesa Diretora do sorteio da comissão.

Para a magistrada, a regra do Regimento Interno da Câmara, que impede integrantes da Mesa de compor comissões, não contraria o Decreto-Lei 201/1967.

Mas a relatora viu fundamento relevante em outro ponto levantado pela defesa: o risco de comprometimento da imparcialidade no julgamento.

A decisão destaca que a denúncia contra Cleiton Profeta foi apresentada por partido político e cita ofensas dirigidas a parlamentares, entre eles o vereador que atuou como relator da comissão processante.

Segundo a magistrada, essa circunstância exige cautela, especialmente diante da proximidade de uma eventual sessão que poderia culminar com a perda do mandato.

A desembargadora cita, inclusive, precedente do próprio TJSC em caso semelhante, no qual foi reconhecido risco à imparcialidade pela participação, em comissão processante, de parlamentar ligado à executiva do partido denunciante. 

Na prática, a decisão não entra no mérito final da cassação nem declara nulidade definitiva do processo.

A magistrada registrou que, diante da possibilidade de cassação iminente, a cautela recomenda suspender os trabalhos até análise mais aprofundada.

Com isso, fica travado, ao menos temporariamente, um dos processos políticos mais delicados do ano em Joinville.

A decisão representa uma derrota jurídica para a condução adotada pela Câmara e dá fôlego à estratégia da defesa de Cleiton Profeta, que tenta deslocar o foco do mérito das acusações para a legalidade e a imparcialidade do rito.

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