📅 sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Adriano Silva admite frustração nas urnas e revela planos para Joinville e eleições de 2028

Material para uso jornalístico
O ex-prefeito de Joinville e agora vice governador eleito de Santa Catarina, Adriano Silva, reconheceu uma certa decepção de não consegui eleger seus aliados na eleição deste ano. Ele considerou com um mistro de sentimentos o final da apuração do primeiro turno, quando conseguiu reeleger Jorginho Mello, mas não conseguiu transferir votos para seus apoiados. Em entrevista para a 89 FM, de Joinville, durante o domingo de apuração do segundo turno, por cerca de 15 minutos de conversa, Silva falou do papel que terá no governo de Jorginho Mello (PL) a partir de janeiro, das obras que pretende acompanhar na cidade, do resultado da bancada joinvilense na Assembleia Legislativa e do desenho que imagina para a eleição municipal de 2028.

O vice sem secretaria

Sobre o próprio cargo, Adriano confirmou que não vai acumular uma secretaria. Segundo ele, a decisão foi tomada com o governador para que tenha uma atuação “transversal”, auxiliando em todas as pastas e com autonomia para conduzir os temas do Norte e do Nordeste catarinense. A ideia é montar um gabinete que funcione como equipe de acompanhamento das obras e convênios da região. Ele assume em janeiro, mas disse que já vem participando de reuniões no Estado. A lista que apresentou é longa: o Hospital São José, discutido com a prefeita Rejane Gambin e a equipe da Saúde de Joinville; duas pontes com recurso estadual, uma no Comasa e outra na área rural; convênios para o Theatro Nicodemus e o Palácio das Orquídeas; e a duplicação da Rua Dona Francisca. A meta, nas palavras dele, é fazer esses convênios saírem do papel o mais rápido possível.

Poderia ter remado um pouco mais

O momento mais revelador veio quando o colunista Marco Aurélio Braga perguntou se houve decepção com o resultado de 4 de outubro: Joinville elegeu só três deputados estaduais, e três nomes do núcleo próximo de Adriano — Gilberto Leal (Podemos), Neto Petters e Matheus Cadorin, ambos do Novo — ficaram fora. Adriano respondeu com “dois sentimentos”. O de vitória, pela maior votação da história para o governo do Estado, para a qual, disse, Joinville contribuiu de forma decisiva. E o de frustração, que ele restringiu ao Novo. O partido manteve apenas a cadeira que já tinha na Alesc, agora ocupada por Odair Tramontin, de Blumenau, enquanto Cadorin ficou como primeiro suplente. Segundo Adriano, faltaram cerca de 100 votos à nominata para a segunda vaga, o equivalente, nas contas dele, a uns 50 votos a mais por candidato do Novo no Estado. “Dá uma sensação que poderia ter remado um pouco mais”, admitiu. Ele também lembrou que o partido lançou, pela primeira vez, chapas completas a federal e estadual, somou mais votos do que em 2022 e reelegeu Gilson Marques à Câmara, embora a segunda cadeira federal dependesse, reconheceu, “um pouco de sorte”. O que Adriano não disse também fala. Gilberto Leal, apontado nos bastidores como o candidato que contou com o apoio mais direto do ex-prefeito e de servidores comissionados, não foi citado na resposta. Neto Petters, tampouco. A frustração foi enquadrada como problema de matemática partidária do Novo, por 100 votos, e não como um revés do grupo político de Adriano em Joinville. É uma leitura confortável, pois transforma uma derrota pessoal de influência numa questão de quociente.

2028: a união da direita, com o Novo na cabeça

Sobre 2028, Adriano repetiu que sua posição é “sempre de unir” e buscar convergência com os partidos de direita e defendeu que a aliança PL-Novo do Estado se repita nas cidades. Mas o desenho que apresentou para Joinville tem uma hierarquia clara. Lembrou que o PL abriu mão de uma vaga para o Novo estar na chapa de Jorginho e disse que seria “natural” o Novo retribuir com um convite ao PL para a chapa majoritária da reeleição de Rejane Gambin. Traduzindo: na fórmula de Adriano, a cabeça de chapa em Joinville continua com o Novo, e ao PL cabe a vice. É um recado direto ao partido que acaba de sair da urna como o maior da cidade, com os dois deputados federais joinvilenses e o sargento Lima como dono de 63.693 votos dentro do município. E veio acompanhado de uma indireta. Adriano disse que sempre buscará união, “e não a divergência”, como fazem pessoas que preferem caminhos individuais. Não disse quem. O argumento que usou para sustentar a aliança  perdeu o chão poucas horas depois, com a vitória de Lula. Sem o Planalto como cimento, a convergência entre PL e Novo em Joinville volta a depender só do que cada partido tem a ganhar aqui. E, pelos números de outubro, quem tem mais a ganhar sendo cabeça de chapa não é necessariamente quem está oferecendo a vice.

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