📅 domingo, 20 de setembro de 2026

Mensagens de Vorcaro com Moraes e contrato milionário com escritório da esposa entram no centro do caso Banco Master

Novas informações divulgadas nesta terça-feira (1º) ampliaram as suspeitas em torno da relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Relatório da Polícia Federal, produzido a partir de dados apreendidos no celular de Vorcaro, reúne mensagens, encontros e informações sobre contratos firmados entre empresas ligadas ao banqueiro e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Segundo o material analisado pela PF, Vorcaro teria mantido contato direto com Moraes nos dias que antecederam sua prisão, em novembro de 2025.

Em uma das mensagens, enviada em 14 de novembro, o banqueiro afirmou ter “gratidão de vida” pelo ministro e disse que sua família, funcionários, parceiros e amigos teriam uma “dívida de vida” com Moraes e sua família.

O conteúdo foi divulgado após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo de parte da investigação.

As mensagens também mostram que Vorcaro teria procurado Moraes para tratar de sua situação diante do avanço das investigações.

Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, o banqueiro teria perguntado ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

Segundo as investigações, Vorcaro estava se preparando para deixar o país.

O relatório da PF também aponta que Vorcaro teria tentado utilizar sua proximidade com autoridades para obter informações ou interferir no avanço das investigações envolvendo o Banco Master.

As mensagens mencionam autoridades como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O material está sendo analisado no âmbito do chamado Caso Master.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores envolve um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes.

De acordo com a análise da PF, o contrato chegou a R$ 131 milhões e teve vigência entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Metadados do documento indicariam que uma versão do contrato foi editada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Mensagens recuperadas pela PF também mostram Vorcaro tratando os pagamentos ao escritório como prioridade. Em fevereiro de 2024, houve um pagamento de R$ 3,4 milhões. Em conversas posteriores, o banqueiro teria demonstrado preocupação com atrasos e determinado que os pagamentos fossem realizados.

O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que o contrato passou por análise de compliance e que houve consulta ao ministro sobre eventual impedimento legal.

Segundo a defesa, concluiu-se que não havia impedimento, uma vez que Moraes não teria julgado processos envolvendo o Banco Master.

A situação agora está sob análise do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.

Ele solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre os elementos apresentados pela Polícia Federal. A eventual abertura de uma investigação específica envolvendo Alexandre de Moraes dependerá das decisões dentro do próprio STF.

O ministro Alexandre de Moraes já negou, anteriormente, ter recebido determinadas mensagens atribuídas a ele e a Vorcaro no dia da prisão do banqueiro.

Em março, o STF informou que uma análise técnica dos dados extraídos do celular não havia identificado aquelas mensagens como vinculadas ao número de Moraes.

O caso Banco Master investiga suspeitas envolvendo operações financeiras e cessões de crédito que podem alcançar cerca de R$ 12 bilhões.

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes no sistema financeiro.

Leia também

Share with