O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que os recentes acontecimentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro representam um momento de “especial gravidade” para a Corte.
Fachin disse que o STF deverá adotar medidas após concluir a análise dos fatos.
A manifestação ocorre após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens, registros de encontros e outros elementos relacionados à relação entre Vorcaro e Moraes.
O documento teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master.
Segundo as informações apresentadas pela PF, Vorcaro manteve contato com Moraes nos dias que antecederam sua prisão, em novembro de 2025.
As mensagens incluem pedidos relacionados à situação do banqueiro diante do avanço das investigações e fazem referência a contatos com outras autoridades.
O relatório também reúne informações sobre contratos entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Um dos contratos analisados pela PF teria alcançado R$ 131 milhões.
FACHIN PROMETE PROVIDÊNCIAS
Sem citar nominalmente Moraes ou Vorcaro durante seu pronunciamento, Fachin afirmou que a situação exige “serenidade, responsabilidade e firmeza”.
O presidente do STF também ressaltou que o cargo de ministro não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades.
Fachin afirmou ainda que, depois da análise dos fatos e do cumprimento dos procedimentos internos, anunciará as medidas que considerar cabíveis e necessárias.
A declaração representa a primeira manifestação pública do presidente do STF após a divulgação dos elementos que colocaram um dos ministros da Corte no centro de uma nova crise institucional.
PGR QUESTIONA INVESTIGAÇÃO
O caso ganhou outro capítulo após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedir a nulidade e o arquivamento da investigação que resultou no relatório da PF.
Gonet argumenta que o ministro André Mendonça não poderia ter determinado, de ofício, o aprofundamento das apurações sobre possíveis ilícitos envolvendo Moraes sem provocação da Procuradoria-Geral da República ou da Polícia Federal. A PGR também questiona a forma como a investigação foi conduzida.
Agora, caberá ao STF analisar os argumentos apresentados pela PGR e definir os próximos passos do caso.
Apesar das mensagens e dos demais elementos reunidos pela Polícia Federal, as informações divulgadas até o momento não comprovam que eventuais pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos por Moraes. O caso permanece sob análise e poderá ter novos desdobramentos nos próximos dias.
A crise coloca em discussão não apenas a relação entre Moraes e Vorcaro, mas também os limites institucionais para a investigação de ministros do próprio Supremo e a forma como a Corte deverá tratar os elementos apresentados pela Polícia Federal.
