O artista plástico, pintor, desenhista e multiartista joinvilense Juarez Machado morreu nesta terça-feira (6), aos 85 anos, no interior do Rio de Janeiro. Reconhecido por sua trajetória na arte brasileira, ele levou o nome de Joinville para o Brasil e para o exterior ao longo de décadas de carreira.
Nascido em Joinville, em 16 de março de 1941, Juarez Machado demonstrou interesse pelo desenho e pela escultura ainda na infância. Aos 14 anos, começou a trabalhar em uma oficina gráfica, onde teve contato com pincéis e tintas e aprofundou sua vocação artística.
Aos 18 anos, mudou-se para Curitiba para estudar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Depois de concluir a formação, iniciou uma trajetória marcada por trabalhos em diferentes áreas da arte.
Em 1965, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como chargista em jornais e participou de projetos de humor e criação na televisão. Na TV Globo, ganhou destaque como mímico ao interagir com os próprios desenhos durante o programa Fantástico. Também participou da produção de cenários e figurinos para programas como “Faça Humor Não Faça Guerra”, “Balança, Mas Não Cai” e “Balão Mágico”.
O artista também trabalhou na produção de videoclipes e musicais de nomes como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago.
No início dos anos 1980, com ateliês em Joinville e no Rio de Janeiro, Juarez Machado mudou-se para Paris, onde manteve outro espaço de criação e viveu por décadas. Ao longo da carreira, atuou como pintor, escultor, escritor, desenhista, mímico, chargista, ator e caricaturista.
Reconhecimento
Juarez Machado recebeu diversos prêmios e homenagens ao longo da carreira, incluindo o prêmio da 5ª Bienal de Arte da Itália, o prêmio Cenários em Televisão, o prêmio “Barriga Verde” de Artes Plásticas de Santa Catarina e o prêmio Nakamori, no Japão, pelo melhor livro infantil.
Em Joinville, uma de suas obras mais conhecidas é “O Grande Circo”, instalada na fachada do Centreventos Cau Hansen. O mural possui 90 metros quadrados e é formado por 963 peças cerâmicas pintadas à mão.
O artista também dá nome ao Teatro Juarez Machado, no complexo do Centreventos Cau Hansen.
Outro espaço dedicado à sua trajetória é o Instituto Juarez Machado, inaugurado em 2014 no antigo endereço da casa dos pais do artista. O local reúne obras do joinvilense e também promove exposições de artistas locais, nacionais e internacionais.
Juarez Machado deixa um legado marcado pela diversidade artística e pela contribuição à cultura brasileira, com obras e referências que permanecem ligadas à história de Joinville.