O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a progressão de regime de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, para o semiaberto.
A decisão foi assinada na sexta-feira (2) e divulgada nesta terça-feira (6).
Débora foi condenada pelo STF a 14 anos de prisão por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Ela ficou conhecida por ter escrito com batom a frase “Perdeu, mané” na estátua “A Justiça”, localizada em frente ao STF.
Apesar da progressão para o semiaberto, Débora continuará cumprindo a pena em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico.
Segundo Moraes, essa forma de cumprimento é mais benéfica do que a transferência para uma unidade prisional destinada ao regime semiaberto.
Remição de 212 dias
A decisão reconheceu 212 dias de remição da pena. Desse total, 108 dias correspondem ao trabalho realizado por Débora durante o período em que esteve presa, quatro dias foram concedidos pela participação em um projeto de leitura e outros 100 dias pela aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL) de 2023.
A defesa também havia solicitado uma nova remição pela aprovação no Enem PPL de 2024, mas o pedido foi negado por Moraes.
O ministro considerou que haveria duplicidade do benefício para o mesmo nível de escolaridade.
Requisitos para a progressão
De acordo com a decisão, Débora cumpriu o requisito de tempo necessário para a progressão e não apresentou registros de faltas disciplinares ou descumprimento das medidas impostas durante o período de prisão domiciliar.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado favoravelmente à remição dos 212 dias e à progressão para o regime semiaberto.
Débora cumpre prisão domiciliar desde março de 2025. A condenação de 14 anos inclui os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.