📅 quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Marco Aurélio Braga aponta quem são os favoritos de Joinville para a eleição de domingo

Uma campanha eleitoral não é uma corrida de 100 metros.

É uma maratona com obstáculos e quem chegar mais forte nos últimos dias tende a levar a vantagem na linha de chegada.

Foi com esse princípio que esta coluna passou os últimos dias recebendo informações de pesquisas internas de partidos, lideranças e coordenadores de campanha.

Gente que, em geral, trabalha em silêncio e só aparece quando o resultado já está dado.

A projeção de quem vai representar Joinville em Florianópolis e em Brasília está sendo feita, a esta altura, quase inteiramente dentro dos comitês de campanha, o que não invalida os números, mas exige lembrar que são números que também servem à narrativa que cada campanha quer contar.

O retrato que emerge dessas conversas é de dois cenários opostos.

Na Assembleia Legislativa, Joinville pode eleger até cinco deputados estaduais, quase o dobro dos três que elegeu em 2022, e até atingir a meta de seis que virou bandeira de campanha da Cada Voto Conta, como mostrou esta coluna em setembro.

A coluna elencou 9 nomes que chegam com força, mas nada impede de haver nomes que podem correr por fora e romper a bolha.

Já para a Câmara Federal, o cenário é inverso.

As pesquisas não mostram um caminho confortável e a avaliação de analistas e coordenadores ouvidos pela coluna é que a cidade deve eleger, no máximo, um ou dois deputados federais.

Há quem trabalhe com um cenário ainda mais pessimista: Joinville ficar sem nenhum representante em Brasília.

E o pior é que toda a região Norte e Nordeste de Santa Catarina pode ficar sem voz própria na Câmara dos Deputados pelos próximos quatro anos. Vamos tratar de seis nomes que podem chegar.

E só para deixar registrado.

Em Joinville tendência é o governador Jorginho Mello bater na casa dos 60% e Carol de Toni e Esperidião Amin favoritos dos joinvilenses ao Senado, conforme pesquisa interna dos partidos.

PL um gás final para eleger dois

Se a Alesc realmente entregar cinco cadeiras a Joinville, pelo menos quatro delas já parecem praticamente resolvidas, ainda que por caminhos bem diferentes. Maurício Peixer e William Tonezzi, os dois nomes do PL, projetam ultrapassar a casa dos 40 mil votos cada um.

Peixer busca a reeleição; Tonezzi chega como o vereador mais votado de Joinville, tentando repetir na Alesc a capilaridade que construiu na Câmara Municipal.

A falta de dinheiro na reta final virou um peso real para os dois, mas a avaliação dentro do PL é que deve haver reforço de caixa nos últimos dias, e que ambos serão beneficiados por um possível estouro de votos vindo de nomes fortes do bolsonarismo ligados à legenda.

É uma aposta que ajuda os dois candidatos, mas que também os torna dependentes do mesmo fenômeno das duas últimas eleições.

Krelling e a consolidação dos votos

Fernando Krelling, do MDB, projeta passar dos 50 mil votos e deve se confirmar como um dos nomes mais votados da cidade. Mas ele está fazendo um movimento que os dois nomes do PL não fazem: parte da estratégia da reta final é ampliar a votação para fora de Joinville, o que carrega o risco inverso que é perder espaço dentro da própria cidade justamente na hora em que ela mais pesa.

Crescimento e dobrar votos de 2022

Matheus Cadorin, do Novo, fecha o quarteto de favoritos.

Com o objetivo declarado de dobrar a votação de 2022, é tratado como favorito para o segundo mandato, com projeção de mais de 25 mil votos.

Sua campanha cresceu na reta final, tem um otimismo com seu nome dentro do partido Novo e as pesquisas já o colocam com um dos mais votados.

Neto de olho em Blumenau

Material para uso jornalístico

O verdadeiro jogo em aberto na Alesc é pela quinta vaga. E ali a lista de pretendentes é longa.

Neto Petters, também do Novo, pode ser a surpresa do partido. As notícias e pesquisas que chegam de Blumenau mostram um cenário congestionado de candidatos, o que pode prejudicar justamente os nomes mais fortes da cidade, como Odair Tramontin e Cryslan.

Um problema de outro cidade que pode abrir espaço para Petters crescer. A projeção para ele também é na casa dos 20 mil votos.

PT e a chance de uma eleição casada

No PT, Ana Lúcia Martins tenta se beneficiar do que já chamam, internamente, de voto casado com Vanessa da Rosa, candidata a federal pelo mesmo partido.

As duas compartilham o perfil de mulher negra, professora, com pauta de inclusão e a aposta do partido é que uma puxe a votação da outra.

A projeção fica entre 15 e 20 mil votos, o suficiente, na conta interna do PT, para brigar por uma das últimas vagas em disputa.

Diego e o desafio dos votos

Diego Machado, presidente da Câmara de Vereadores, corre contra o tempo para chegar na casa dos 50 mil votos, patamar que lideranças e pesquisas internas do PSD avaliam como necessário para brigar pela vaga.

A leitura de bastidor é que ele está fazendo uma campanha sólida, de muitas agendas, com boa estrutura, mas o resultado final ainda depende dessa corrida contra o relógio. Superar a disputa interna pelos votos é o maior desafio.

Gilberto com a máquina a favor e estrutura para chegar

Gilberto Leal, do Podemos, tem uma das maiores estruturas de campanha entre os candidatos joinvilenses, com apoio do ex-prefeito Adriano Silva e de servidores comissionados e é tratado como grande favorito a uma eventual terceira vaga do partido, se ela existir, com projeção de 25 a 30 mil votos. Concorre diretamente com Fabio Botelho, de Florianópolis, também apoiado por um grande cabo eleitoral que é o prefeito da Capital, Topázio Neto.

Nome novo com força para surpreender

Eduardo Cesconetto, do Republicanos, é apontado como possível surpresa da eleição. Tem base em Joinville e trabalho forte junto aos funcionários da Celesc. Com o discurso de gestão e renovação, em sua primeira campanha eleitoral, se o Republicanos eleger três deputados, ele brigará forte pela vaga. Caso a legenda consiga uma quarta cadeira, Cesconetto entra como favorito desde que os celesquianos entreguem votação em todo o estado, o que não depende só dele. Projeção: 25 mil votos.

A luta dos federais e o drama de Joinville

Lima com mais de 100 mil votos entra na briga

Sargento Lima

Se a Alesc promete a Joinville a maior bancada estadual em anos, a disputa a deputado federal caminha para o resultado inverso. Sargento Lima, do PL, é tratado como a principal aposta interna do partido: tem apoio de nomes importantes, uma base grande de seguidores e um discurso afinado com o bolsonarismo.

É um dos favoritos a se eleger, com projeção de mais de 100 mil votos, mas enfrenta na própria legenda o maior obstáculo, porque parte dessa projeção depende de uma puxada de voto que não é dele.

Os nomes de Jair Renan Bolsonaro e Julia Zanatta, que devem passar fácil dos 200 mil votos cada um no estado.

É uma dependência que pode funcionar a favor de Lima  ou expor o quanto sua candidatura precisa de um fenômeno maior do que ele mesmo para se viabilizar.

Trovão com nome estadualizado para a reeleição

Zé Trovão, o outro nome do PL, tem pouca base em Joinville, mas segue com excelente adesão fora da cidade e no entorno. Ele busca a reeleição e segue entre os nomes fortes para voltar a Brasília, competindo, na prática, pelo mesmo eleitorado bolsonarista que também sustenta a candidatura de Lima.

Romper barreira e buscar mais de 70 mil votos no desafio do PT

Fora do PL, a corrida fica ainda mais dura. Vanessa da Rosa tem o apoio do PT, recebeu recursos do fundo eleitoral e é a aposta do partido para devolver à região Norte um representante em Brasília, mas precisa ultrapassar a casa dos 70 mil votos, o que, internamente, gera mais esperança do que certeza.

Força maior fora de Joinville dá esperança para Darci

Darci de Matos constrói sua força fora de Joinville, principalmente no interior do estado, onde sua atuação como deputado estadual e depois federal deixou raízes. A aposta dele é escalar por ali, não pela cidade, onde tenta apenas ampliar a votação sem depender dela  e o Republicanos deve eleger dois federais, o que ajuda a explicar por que a legenda está bem posicionada nessa conta.

Coelho e o desafio de busca a terceira vaga do MDB

 Rodrigo Coelho, do MDB, tem o desafio mais difícil do grupo: está num partido grande e estruturado, que deve eleger dois deputados federais, mas para conquistar uma terceira vaga ele precisaria praticamente dobrar a votação que teve em 2022 e passar dos 100 mil votos. Conta com a região também de Jaraguá do Sul, com a ausência de Chiodini (vice de João Rodrigues) para conquistar a façanha de eleger-se.

Érico conta com a força do novo para surpreender

Material para uso jornalístico

Érico Vinícius, do Novo, fecha a lista lutando por espaço dentro da missão do próprio partido de eleger mais um federal. Lideranças do Novo projetam pelo menos 50 mil votos, patamar que o coloca na briga, mas longe de ser favorito. O argumento é que Érico tem um voto silencioso.

Amigo do Bolsonaro e o exército como amigo

Coronel Armando, do PP, tenta buscar o protagonismo que conquistou em 2018 quando aproveitou bem a onda bolsonarista. Tem no exército seu grande trunfo e a amizade com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Tem uma difícil missão porque perdeu espaço depois de não ter sido reeleito, mas tem discurso firme e alinhado com a direita.

Resultado final pode provocar reflexões em Joinville

A régua que separa os dois cenários é dura de engolir para quem sonha com uma Joinville mais representada.

A mesma cidade que pode eleger cinco deputados estaduais, a maior bancada de sua história recente,  caminha para eleger, na melhor das hipóteses, dois federais, e corre o risco real de fechar outubro sem nenhum. S

e esse cenário mais pessimista se confirmar, Joinville repete e piora o resultado de 2022, quando elegeu apenas um federal com domicílio na cidade e a região Norte e Nordeste catarinense como um todo fica sem voz própria na Câmara dos Deputados pelos próximos quatro anos, justamente na onde se decidem o Orçamento e as emendas que mais impactam o dia a dia da região.

Vale o alerta que os números aqui são a leitura de muita conversa de bastidores, olhar sobre pesquisas e das movimentações na cidade.

A régua real só vai aparecer domingo na urna e pode ser mais dura do que estamos projetando.

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