📅 quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Entre orações e ataques, Flávio Bolsonaro mostra otimismo em Joinville e vitória no primeiro turno

Treze cadeiras e 13 pessoas sobre o palco. A composição organizada para o comício de Flávio Bolsonaro em Joinville, neste sábado, ajudou a mostrar a imagem que a campanha presidencial pretende construir em Santa Catarina com forte discurso religioso, ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sendo o principal alvo Alexandre de Moraes.

Mas o principal destaque foi o otimismo em vencer a disputa já no primeiro turno. “Lula aumentou o Bolsa Família porque já viu nas pesquisas que vamos vencer no primeiro turno”, disse referindo-se a uma, talvez, pesquisa interna. 

O evento estava marcado para as 10h22, numa referência ao número eleitoral do PL, mas começou às 10h46. Flávio entrou no palco às 11h04, acompanhado de Jorginho, candidato à reeleição. Mas foi o discurso que revelou com maior clareza o caminho escolhido para a campanha.

Um Pai-Nosso no meio dos discursos

Houve referências constantes à fé, à família e à liberdade, palavras que já fazem parte do vocabulário político do bolsonarismo. Em um dos momentos de maior simbolismo, todos rezaram um Pai-Nosso.

A religião não apareceu apenas como manifestação pessoal de fé. Foi incorporada à construção política do encontro e à tentativa de estabelecer uma divisão moral entre os dois lados da disputa. De um lado, estariam Deus, a família e a liberdade. Do outro, o PT, o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes.

Essa separação ficou ainda mais evidente no tom dos discursos. Do palco, foram ouvidas expressões como “eliminar do mapa o PT e o governo Lula”, “Fora Alexandre de Moraes” e “mandar para o inferno o PT”. Também houve manifestações de confiança numa vitória já no primeiro turno.

Mobilizar a base fiel e chama acessa do Bolsonarismo

Discurso para militância e levar último gás na reta final da campanha eleitoral

O vocabulário adotado mostra que Flávio Bolsonaro não pretende moderação nas palavras. Pelo menos em Santa Catarina, a estratégia inicial é mobilizar a base mais fiel, recuperar as bandeiras que marcaram as campanhas de Jair Bolsonaro e transformar a eleição numa disputa direta contra o PT e as instituições associadas aos embates enfrentados pelo ex-presidente.

É uma fórmula conhecida. O objetivo parecia ser menos convencer o eleitor indeciso e mais reafirmar ao eleitor bolsonarista que existe um sucessor de Jair Bolsonaro disposto a carregar as mesmas bandeiras. Flávio tenta assumir o patrimônio político do pai sem abandonar os símbolos que mantêm esse grupo mobilizado. O sobrenome Bolsonaro continua sendo o principal ativo eleitoral, mas também estabelece uma comparação inevitável.

Confiança em vitória no primeiro turno, fé em Deus e mandar o PT pro inferno

O excesso de confiança, entretanto, merece atenção. Falar em vitória no primeiro turno anima a militância e produz ambiente de força, mas não substitui a realidade eleitoral. Uma eleição presidencial exige mais do que a mobilização dos convertidos. Exige ampliar apoios, dialogar com setores diferentes e conquistar eleitores que não participam dos comícios.

O tom mais agressivo também cria uma contradição difícil de ignorar. No mesmo palco em que se rezou o Pai-Nosso e se defenderam Deus e a família, adversários foram enviados “para o inferno” e o PT foi tratado como uma força a ser “eliminada do mapa”.

É evidente que essas frases estão inseridas no campo da retórica eleitoral. Ainda assim, as palavras importam. O encerramento do evento também foi carregado de simbolismo. Flávio Bolsonaro terminou o comício cercado por crianças no palco. A imagem ajudou a reforçar a mensagem de família e futuro pretendida pela campanha. 

As 13 cadeiras estavam ocupadas com Flávio, Jorginho,  o candidato a vice Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville, a atual prefeita Rejane Gambin, a atual governadora em exercício Marilisa Boehm, os candidatos ao senado Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, o candidato deputado federal Jair Renan Bolsonaro, o senador Jorge Seif e mais quatro suplentes ao Senado. 

Leia também

Share with